A 35.ª Rampa da Arrábida proporcionou um fim de semana cheio de histórias no Campeonato de Portugal de Montanha 1300 JC Group. Houve um vencedor que procurava há muito este momento, um pequeno Datsun capaz de intrometer-se entre os mais rápidos e, sobretudo, houve um novo campeão.
José Carlos Magalhães, Aníbal Rolo e Armando Freitas foram os três grandes protagonistas de uma jornada intensa na Serra, num campeonato que voltou a demonstrar que cilindrada pequena está muito longe de significar espetáculo pequeno.
E desta vez ninguém conseguiu discutir a supremacia de José Carlos Magalhães. Desde as primeiras subidas, o piloto e líder da MNE Sport deixou muito claras as suas intenções. O piloto do Peugeot 205 Rallye apresentou-se extremamente rápido e determinado, transformando a velocidade tantas vezes demonstrada ao longo da temporada numa exibição sem mácula na Arrábida.
No sábado, quando chegou o momento da primeira Subida Oficial de Prova, Magalhães voltou a ser o homem a bater. Parou o cronómetro nos 2m10,697s e terminou o primeiro dia isolado no comando, com 2,701 segundos de vantagem sobre Aníbal Rolo e 4,913 sobre Armando Freitas.
Mais do que a vantagem, impressionava a autoridade da exibição. Magalhães parecia particularmente à vontade no exigente traçado setubalense e encontrara finalmente a combinação entre velocidade, eficácia e consistência que tantas vezes procurara.
Mas o domingo ainda haveria de ser melhor. José Carlos Magalhães não se limitou a defender a liderança. Fez precisamente o contrário. Atacou. Na segunda subida baixou o seu registo para 2m09,392s e, quando chegou a derradeira oportunidade, voltou a encontrar mais velocidade, assinando 2m09,235s, o melhor tempo dos 1300 em todo o fim de semana.
Três Subidas Oficiais. Três melhores tempos. Somadas as duas melhores passagens, o piloto do Peugeot 205 Rallye terminou com 4m18,627s e conquistou finalmente uma vitória que há muito perseguia.
Foi uma exibição sem discussão e um triunfo que assentou perfeitamente num piloto que, na Arrábida, foi simplesmente o mais rápido sempre que o cronómetro contou.
Aníbal Rolo coloca o Datsun 1200 Coupé entre os grandes
Se José Carlos Magalhães foi incontestável na frente, uma das grandes exibições da jornada pertenceu a Aníbal Rolo. O piloto do Datsun 1200 Coupé não se limitou a dominar entre os Clássicos 1300. Fez muito mais do que isso.

Rolo intrometeu-se diretamente na discussão dos lugares cimeiros da classificação absoluta dos 1300 e terminou num extraordinário segundo lugar, deixando para trás vários dos mais competitivos carros da divisão Turismo.
Já no sábado dera o primeiro aviso, ao registar 2m13,398s e instalar-se na segunda posição. No domingo manteve o andamento e fechou a prova com 4m26,569s, a 7,942 segundos do vencedor.
Um terceiro lugar com sabor a título para Armando Freitas
Mas havia ainda outra grande história para escrever na Arrábida. Armando Freitas chegou a Setúbal sabendo que estava muito perto de fechar matematicamente as contas do campeonato. O experiente piloto não precisava de correr riscos desnecessários, mas nem por isso deixou de estar na discussão dos lugares do pódio.

Com o seu conhecido Toyota Starlet, Freitas terminou o sábado na terceira posição, depois de assinar 2m15,610s. No domingo ainda foi mais rápido. Baixou para 2m13,936s e fechou a classificação com 4m29,546s, garantindo o terceiro lugar absoluto.
E esse resultado valeu muito mais do que um simples pódio: Valeu o título de Campeão de Portugal de Montanha 1300 de 2026. Aos comandos de uma máquina com a qual construiu grande parte do seu percurso desportivo, Armando Freitas alcançou assim o quarto título nacional da carreira, acrescentando mais uma página a um palmarés que o coloca entre as figuras incontornáveis dos 1300 na Montanha portuguesa.
Curiosamente, o Toyota Starlet chega mesmo ao seu quinto título nacional, juntando aos quatro conquistados com Armando Freitas o anteriormente alcançado por José Salgado.
Salvador Coelho e Paulo Oliveira completam Top 5
Atrás do trio do pódio, Salvador Coelho levou o Toyota Yaris ao quarto lugar. O piloto melhorou de forma consistente ao longo da prova, terminando a apenas 2,104 segundos de Armando Freitas. Paulo Oliveira, no Peugeot 106, completou o Top 5 com 4m43,176s, enquanto José Pedro Figueiredo, em Datsun 1200, terminou sexto e segundo entre os Clássicos 1300.
A jornada ficou também marcada pelo abandono de Diogo Marques. O jovem piloto da Famaconcret Racing Team, vencedor das duas provas anteriores, sofreu no sábado um forte acidente com o Toyota Starlet. Felizmente sem consequências físicas, os danos sofridos pelo carro impediram-no de prosseguir a participação no domingo.
Nos dias 24 e 25 de outubro, a 35.ª Rampa do Caramulo encerra o Campeonato de Portugal de Montanha JC Group 2026 e oferece aos homens dos 1300 uma última oportunidade para terminar o ano em grande.
