Mecânico de profissão, apaixonado pelos ralis desde sempre e construtor do Fiat Panda 141 Rally que conduz em competição, o jovem amarantino quer agora dar o próximo passo: chegar ao Campeonato de Portugal de Ralis.
Emanuel Teixeira tem 25 anos, é natural de Amarante e vive os automóveis desde muito antes de imaginar que um dia poderia estar do lado de dentro de um carro de competição.
A paixão começou cedo. Primeiro pelos carros, depois pelos ralis. Seguia as provas, acompanhava pilotos e equipas e alimentava um sonho que parecia distante: um dia poder competir: “Desde pequeno que adoro carros e sempre sonhei poder trabalhar com eles. Hoje sou mecânico profissional, mas os ralis foram sempre uma paixão enorme. Sempre os acompanhei para todo o lado e sempre tive o sonho de um dia poder ser piloto”.

Em 2024 surgiu uma oportunidade que acabaria por ter um peso importante no seu percurso. Emanuel Teixeira começou a trabalhar com Vítor Pascoal e integrou a respetiva equipa: “Nem hesitei. Foi uma oportunidade fantástica para começar a aprender muito mais sobre competição.”
A temporada acabaria por ser coroada com o título de Pascoal nos GT do Campeonato de Portugal de Montanha, mas, para Emanuel, aquele era apenas mais um passo. O sonho de pilotar continuava lá.
Um Panda construído de raiz
Paralelamente ao trabalho profissional e à experiência adquirida em competição, Emanuel começou a desenvolver um projeto muito pessoal: um Fiat Panda 141 Rally.
Não era uma escolha ocasional. Os Panda sempre fizeram parte da sua ligação ao automóvel – chegou mesmo a ter quatro exemplares de estrada: “O carro foi feito do zero por mim. Toda a preparação demorou cerca de três anos até ficar concluída.”

O resultado é hoje uma viatura praticamente única no panorama nacional: um Fiat Panda 141 equipado com motor 1.2 16V e cerca de 127 cv, desenvolvido progressivamente para responder às exigências da competição.
Antes de o projeto estar totalmente pronto, porém, Emanuel teve finalmente a oportunidade de concretizar outro sonho.
A estreia na Montanha
A primeira prova como piloto aconteceu em 2025, na Rampa da Penha, aos comandos de um Citroën Saxo Cup.
A adaptação foi imediata: “Depois de apenas duas subidas de treinos consegui entrar no Top 5 logo na primeira subida oficial. Para mim foi muito bom, ainda por cima sendo a primeira prova.”

O fim de semana acabaria condicionado pela quebra de um braço de suspensão, mas a experiência deixou uma certeza: Emanuel queria continuar.
Pouco depois regressou na Rampa de Santa Marta, novamente com o Saxo Cup. Desta vez, chegou mesmo a lutar pelo 3.º lugar: “Estava muito feliz. Era apenas a minha segunda prova e já estávamos a lutar pelo pódio.”
Uma transmissão partida na penúltima subida voltou a afastá-lo do resultado desejado. Mas desistir nunca esteve nos planos.
Finalmente, os ralis
Foi então que Emanuel decidiu avançar definitivamente para a disciplina que sempre mais o apaixonou. Terminou a preparação do Fiat Panda 141 Rally e inscreveu-se no Rali de Águeda, onde teria Mafalda dos Santos a seu lado.

Era a sua primeira experiência num rali enquanto piloto. A primeira vez a fazer reconhecimentos. A primeira vez a construir notas: “Quando fomos testar o Panda em Fafe adorei a experiência e fiquei muito satisfeito com o trabalho que tinha feito no carro. Depois vieram os reconhecimentos e foi a primeira vez que tirei notas. Achei aquilo fantástico.”
E o resultado tornou tudo ainda mais especial. Emanuel Teixeira terminou em 2.º lugar do grupo, conquistando o primeiro pódio da carreira precisamente ao volante do carro que tinha construído: “Foi a minha primeira vitória pessoal: conseguir terminar um rali com o próprio carro que construí. Foi o primeiro pódio e um momento que nunca vou esquecer.”
Pódio em casa
Em 2026, a fasquia voltou a subir. Ao lado de Mafalda dos Santos, Emanuel alinhou no Rali Terras d’Aboboreira aos comandos do Toyota GR Yaris.

A estreia com uma viatura completamente diferente resultou num excelente 3.º lugar no Campeonato Promo de Ralis e vitória na respetiva categoria.
E havia um ingrediente extra. Competir em casa: “Conseguir um pódio na minha cidade, com um carro tão diferente do meu, foi muito especial.”
O projeto com o Fiat Panda também continuou a crescer e encontrou no Castrol Portugal Rally Series um palco privilegiado: “É um campeonato novo, mas muito bem falado entre os pilotos. Há uma equipa fantástica a criar provas diferentes e únicas.”
Os resultados também começaram a surgir: dois pódios com o Fiat Panda 141 Rally, resultado de muitos testes e de sucessivas melhorias realizadas pelo próprio Emanuel.
Novo pódio em Castelo Branco
Mais recentemente, Emanuel Teixeira e Mafalda dos Santos regressaram ao Toyota GR Yaris para disputar o Century 21 Diamond Rally Series Castelo Branco. A dupla voltou a estar entre os protagonistas da Categoria 4WD e chegou mesmo a ocupar o 2.º lugar, antes de um toque na traseira condicionar a reta final.

Ainda assim, asseguraram novo pódio, terminando no 3.º lugar da categoria. Mais um resultado para uma carreira ainda curta, mas já recheada de experiências, aprendizagem e histórias para contar.
O sonho chama-se CPR
Emanuel Teixeira não esconde onde gostaria de chegar: “A minha vida nos ralis tem sido fantástica e muito importante para mim. Quero continuar a crescer e, com a ajuda da Mafalda, lutar pelo sonho de chegar ao Campeonato de Portugal de Ralis.”

O objetivo está claramente definido. Emanuel quer conseguir construir condições para disputar uma temporada no CPR e levar mais longe o projeto que nasceu em Amarante: “Quero conseguir fazer uma época no Campeonato de Portugal de Ralis e levar o meu nome, o nome da Mafalda, que tem sido incrível e fundamental, e o nome da minha cidade o mais longe possível.”
Mas Emanuel sabe que nenhum projeto deste género se constrói sozinho.
Por isso, faz questão de destacar quem tem caminhado ao seu lado desde o início, começando pela Leite & Janeiro Oficina, onde trabalha, e por Carlos Janeiro, pelo apoio dado aos seus projetos; pela M.V. Santos, que descreve como uma segunda família, pelo carinho e apoio que sente por parte de Victor Santos e dos filhos Afonso e Mafalda; pela FielNorte, parceira desde os primeiros passos no automobilismo; pela Datais Automatismos, através do apoio de David Costa; pela SingleCar, do Daniel; e pela KCPerformance, fundamental no desenvolvimento e afinação eletrónica das viaturas.
O piloto estende ainda o agradecimento à Macom Indústrias, Vítor Auto, Solid, Alta Patente Leitões, Jornal A Verdade, André Teixeira Eletricidade, ExtinMarco e ClinicAuto.
A história de Emanuel Teixeira ainda está no início. Mas entre o mecânico que sonhava com ralis, o Fiat Panda construído durante três anos e os primeiros pódios conquistados ao lado de Mafalda dos Santos, uma coisa já ficou clara: o sonho deixou há muito de estar parado na garagem. Agora anda ao cronómetro.
