“Pocket Rocket” dominava entre os Júnior antes do abandono, regressou em Super Rally e terminou em grande, batendo todos os Rally4 na derradeira especial.

A sorte nada quis com Afonso Santos no Rally 6 Cities North of Portugal. Mas, se o resultado final não refletiu aquilo que o jovem piloto da Póvoa de Varzim mostrou ao longo do fim de semana, a resposta dada no domingo deixou uma demonstração inequívoca de velocidade e competitividade.

Aos comandos do Peugeot 208 Rally4 preparado pela PT Racing e navegado pela irmã Mafalda dos Santos, Afonso entrou na prova com uma estratégia muito clara: andamento forte, mas controlado, sabendo que esta poderia ser uma jornada determinante nas contas do Campeonato de Portugal Júnior de Ralis.

E os primeiros quilómetros mostraram imediatamente que o “Pocket Rocket” estava preparado para discutir a vitória. Depois da segunda classificativa, Afonso Santos liderava entre os concorrentes do Júnior com mais de 35 segundos de vantagem sobre o adversário mais direto, construindo uma margem expressiva sem assumir riscos desnecessários.

Tudo mudaria na terceira especial, a primeira passagem pelos 18,2 quilómetros de Ribeira de Pena, um troço que provocou muitas dificuldades e várias baixas no pelotão: “Começámos a sexta-feira com muita cabeça na subida da Penha e no sábado entrámos bem. Mas, logo na segunda especial do dia, cometi um pequeno erro num gancho, tocámos no interior da curva e uma pedra bicuda furou o radiador. Ficámos imediatamente impedidos de concluir a especial e o resto da etapa”, explica Afonso Santos.

O abandono de sábado deixou a dupla sem possibilidade de concretizar a vantagem que tinha construído, mas os danos no Peugeot 208 Rally4 não impediram a PT Racing de reparar a viatura a tempo da derradeira etapa.

Afonso Santos e Mafalda dos Santos regressaram assim no domingo ao abrigo do Super Rally, carregando uma pesada penalização de tempo, mas decididos a aproveitar cada quilómetro disponível.

E a resposta foi impressionante. Sem qualquer possibilidade de lutar pela classificação absoluta, o “Pocket Rocket” foi aumentando progressivamente o ritmo e transformou a jornada final numa demonstração de velocidade. Terminou em 2.º lugar entre os Rally4 nas especiais 14 e 15, antes de reservar o melhor para o final.

Na derradeira classificativa, segunda passagem pela Lameirinha, correspondente à Power Stage, Afonso Santos foi o mais rápido entre todos os Rally4, superando não apenas os adversários do Campeonato de Portugal de Ralis, mas também a forte representação internacional integrada nas categorias ERC4 e ERC Júnior.

“Já no domingo, em Super Rally, não tínhamos nada a perder e decidimos aumentar o ritmo gradualmente. Acabámos por vencer a Power Stage entre os concorrentes RC4 do CPR e do ERC, o que foi muito positivo e mostrou o andamento que tínhamos”, destaca.

Apesar do abandono na primeira etapa, Afonso Santos terminou o rali na 2.ª posição entre os inscritos no Campeonato de Portugal Júnior de Ralis. Por estar em Super Rally, não pôde recolher os pontos correspondentes a essa classificação, mas somou três pontos pela vitória na Power Stage, reduzindo a diferença para a liderança antes da derradeira prova da época.

A dupla alcançou ainda um Top 4 nas contas do CPR 2RM, num fim de semana em que a classificação final conta apenas uma parte da história: “Foram quilómetros muito importantes. Tiramos o máximo proveito de cada segundo dentro do carro e ficámos com a certeza de que temos ritmo para estar na frente”, sublinha Afonso Santos.

Depois de um Rally 6 Cities North of Portugal onde o azar interrompeu uma prestação que começava de forma dominadora, o foco passa agora integralmente para o Rallye Vidreiro Centro de Portugal.

“Agora é olhar para o Rali Vidreiro. Vai ser uma autêntica final e vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para chegar ao título Júnior!”, conclui o “Pocket Rocket”.