Depois de mais de cinco décadas a estudar acidentes reais, a Volvo Cars está agora a usar inteligência artificial para criar milhões de cenários virtuais e preparar os seus automóveis para situações de risco extremamente raras — mas potencialmente graves.

A tecnologia utilizada, denominada Gaussian Splatting, permite recriar digitalmente situações reais de circulação com elevado detalhe e, a partir daí, gerar milhares de variações do mesmo cenário.
Um peão que surge inesperadamente, uma bicicleta num cruzamento, uma mudança repentina de faixa ou um obstáculo na estrada podem ser combinados de inúmeras formas, permitindo testar e treinar os sistemas de segurança antes de essas situações ocorrerem no mundo real.
“Já utilizamos milhões de pontos de dados de situações que nunca chegaram a acontecer. Com esta tecnologia conseguimos partir de um cenário raro e criar milhares de novas variações para treinar e validar os nossos modelos”, explica Alwin Bakkenes, Head of Global Software Engineering da Volvo Cars.
A utilização de inteligência artificial permite ainda acelerar o desenvolvimento dos sistemas ADAS, reduzindo processos que anteriormente dependiam sobretudo de quilómetros de testes em estrada e validação física.
A abordagem prolonga uma filosofia com mais de 55 anos. Desde a criação do Volvo Accident Research Team, no início da década de 1970, a marca sueca tem utilizado acidentes reais como matéria-prima para desenvolver novas soluções de segurança.
Agora, o passo seguinte é virtual: aprender não apenas com aquilo que já aconteceu, mas também com aquilo que poderá acontecer.
