Maria Luís Gameiro assume papel de destaque na X-raid mais feminina de sempre

Durante muitos anos, ver mulheres — sobretudo ao volante — em ralis cross-country era algo raro. Hoje, essa realidade mudou, e a presença feminina é sólida e influente no panorama internacional. Na X-raid, porém, o protagonismo feminino nunca foi exceção: faz parte da identidade da equipa desde o início. Em 2026, esse compromisso atinge um marco histórico, com 50% das equipas X-raid constituídas por mulheres, um feito que reflete evolução, mérito e orgulho.
A história começou apenas alguns anos após a fundação da equipa, quando Jutta Kleinschmidt se tornou a primeira mulher a pilotar um carro de competição da X-raid no deserto. Desde então, muitas outras competidoras marcaram presença como pilotos ou navegadoras. Algumas tiveram passagens curtas, outras deixaram legado ao longo de vários anos — mas todas contribuíram para reforçar a força feminina dentro da equipa alemã.
No Dakar 2026, várias pilotos e navegadoras voltam a defender as cores da X-raid, entre elas a portuguesa Maria Luís Gameiro, uma das figuras mais emblemáticas deste movimento. A piloto lusa, facilmente reconhecida pelo seu inconfundível “mundo rosa” — carro, fato e até equipamento da equipa — construiu ao longo dos anos uma carreira sólida no off-road português, frequentemente ao volante de um MINI JCW Rally. Estreou-se no Rally Dakar em 2025 com o X-raid Fenic e, desde então, passou para o MINI JCW Rally 3.0d, dedicando a temporada à aprendizagem intensiva em pisos extremos. Em 2026, apresenta-se mais preparada do que nunca e determinada a fazer vibrar a categoria Ultimate com o seu icónico carro cor-de-rosa.
A francesa Lucie Baud também continua a escrever o seu percurso na X-raid, navegando o pai, Lionel Baud. A dupla, que pilota o MINI JCW Rally 3.0d desde 2024, alcançou um notável 21.º lugar no Dakar 2025. A temporada recente confirmou que chegaram ao novo ano com ambições reforçadas, acumulando resultados expressivos e consolidando experiência. Lucie chega à Arábia Saudita com maturidade crescente e total confiança no trabalho que têm vindo a desenvolver.
Outra das grandes revelações é Rebecca Busi, a mais jovem aquisição da equipa. A piloto italiana prepara-se para enfrentar o Dakar 2026 ao volante de um X-raid Fenic, depois de se destacar na categoria SSV com vários pódios no W2RC. Como apenas a segunda mulher da história a alcançar um pódio neste campeonato, Busi terminou em terceiro lugar, provando que pertence à elite da disciplina.
A espanhola Rosa Romero surge igualmente em destaque. Depois do Dakar 2025, juntou-se ao MINI rosa e à portuguesa Maria Gameiro, formando uma dupla que rapidamente demonstrou sintonia e competitividade. Com vasta experiência no Dakar — seja em moto, seja em UTV —, Romero prepara-se agora para a estreia na categoria Ultimate, num desafio que promete elevar ainda mais o seu prestígio.
Mas a presença feminina na X-raid não se limita ao habitáculo. A influência das mulheres estende-se pelos bastidores, ocupando funções essenciais tanto na sede em Trebur como em estruturas técnicas nos ralis. É um contributo abrangente, consistente e transformador, que reforça a convicção de que o sucesso da X-raid também se escreve no feminino.



