250 km do Estoril: Paulo Lima e Ricardo Pereira vencem a “clássica” de final de época

Paulo Lima e Ricardo Pereira, ao volante de um majestoso Ford GT40, conquistaram a vitória na 13.ª edição dos 250 km do Estoril by Powershield, disputada no Autódromo do Estoril. A prova encerrou com chave de ouro a memorável temporada de 2025 do Iberian Historic Endurance, reafirmando o estatuto de “clássica” incontornável do calendário internacional de competições de clássicos no final de época.
A sessão de qualificação de sexta-feira deu o primeiro sinal do equilíbrio de forças, com os três Ford GT40 inscritos a ocuparem as três primeiras posições da grelha. Os portugueses Paulo Lima e Ricardo Pereira rubricaram o melhor tempo, à frente da dupla britânica Alex Collins / Martin Stretton. Na segunda linha surgiam o Ford GT40 de Hipólito Pires / Tiago Raposo Magalhães / Diogo Tavares e o Shelby Cobra Daytona da HY Racing, melhor não GTP & SC e melhor dos H-1965. A seguir, alinhavam dois dos principais candidatos da classe H-1976: Pedro Rezende, em Porsche 911 3.0 RS, à procura da terceira vitória consecutiva na prova, e o francês Jean-Jacques Renaut, em Porsche 911 2.8 RSR.

Fiel ao espírito dos “3C” – No Crashing, No Cheating, No Complaining – que caracteriza o Iberian Historic Endurance, a vontade de vencer estava bem visível no ambiente de paddock. Ao início da tarde de sábado, 45 carros alinharam na grelha para a tradicional partida “à Le Mans”: carros estacionados a 45 graus junto ao muro das boxes e pilotos do lado oposto da pista, prontos a correr até aos seus carros quando o diretor de corrida fez agitar a bandeira de Portugal.
Lima e Pereira arrancaram com autoridade, enquanto, logo atrás, Alex Collins e Pedro Rezende protagonizavam um intenso duelo pelo segundo lugar, resolvido a favor do Porsche preparado pela Aurora Motorsport durante as primeiras dobragens. Na frente, as equipas ensaiavam estratégias distintas, ao passo que, pelo pelotão, não faltavam lutas de posição entre classes e categorias.
As duas primeiras posições da geral mantiveram-se estáveis até às primeiras idas às boxes para trocas de piloto e reabastecimento. Nessa fase, Damien Kohler e José da Rocha ascenderam ao comando, seguidos de perto por Alex Collins. O Shelby Cobra assistido pela Classic Garage acabaria por ser ultrapassado pelo Ford GT40 três voltas depois, mas a dupla luso-francesa não tardou a recuperar a liderança, que apenas voltaria a perder quando a corrida chegou à 27.ª volta.
Depois de todas as equipas cumprirem as paragens obrigatórias e estabilizarem os ritmos, Pedro Rezende emergiu na frente com cerca de cinco segundos de vantagem sobre o Ford GT40 de Paulo Lima e Ricardo Pereira. A margem começou, porém, a encolher rapidamente e a troca de posições consumou-se à 33.ª volta. O GT40 da RP Motorsport parecia em condições de se isolar na liderança, mas dez voltas mais tarde a diferença entre ambos era inferior a dois segundos. À 44.ª volta, Lima e Pereira cumpriram a derradeira paragem, devolvendo provisoriamente a liderança ao Porsche 911 3.0 RS, que ainda teve de regressar às boxes uma última vez.
Na fase final, já com as estratégias definidas, o Ford GT40 regressou à pista na frente e impôs um ritmo fortíssimo, construindo a vantagem necessária para garantir o primeiro triunfo de Paulo Lima e Ricardo Pereira nos 250 km do Estoril by Powershield. Ao fim de 58 voltas, Pedro Rezende viu a sua exibição sólida recompensada com o segundo lugar absoluto e a vitória na classe H-1976. Jean-Jacques Renaut, em Porsche 911 2.8 RSR preparado pela Classic Garage, completou o pódio à geral e foi segundo na classe, naquela que foi a sua estreia na prova portuguesa. Bruno Duarte e Filipe Jesus, em Porsche 911 3.0 RS, fecharam o pódio da H-1976.
Na categoria GTP & SC, Alex Collins e Martin Stretton terminaram no quarto posto absoluto e foram segundos da classe, enquanto Carlos Barbot e Filipe Vieira de Campos, em Merlyn MK4, asseguraram o terceiro lugar do pódio.
Com cerca de 15 carros inscritos, a H-1965 prometia ser uma das classes mais animadas do fim de semana, reunindo máquinas de enorme pedigree competitivo, como Jaguar E-Type, Lotus Elan, Ford Mustang ou Shelby Cobra. Brice Pineau e Oliver Muytjens garantiram a pole-position ao volante do Shelby Cobra Daytona da HY Racing, mas a corrida ficou aquém das expectativas: perderam duas voltas e terminaram apenas em quarto. A vitória foi dominada de princípio a quase fim por Damien Kohler e José da Rocha, cujo Shelby Cobra chegou mesmo a liderar a tabela geral. A dupla assumiu o comando dos H-1965 logo na primeira volta e só o perdeu durante sete voltas, para o regressado Shelby Mustang GT350 de Ernesto Silva Vieira e André Castro Pinheiro, que terminariam em terceiro da classe graças a uma gestão de corrida exemplar. Sempre muito consistentes, os dinamarqueses Thorkild Stamp e Michael Holden levaram o seu Porsche 904/6 ao segundo lugar da categoria, depois de rodarem grande parte da prova em posição de ataque.
Na classe H-1971, o interesse também foi máximo. O Alfa Romeo GTAm de Henry Wegener arrancou da pole, mas perdeu a liderança logo na volta inicial para o BMW 2800 CS de Luís Sousa Ribeiro e Ricardo Pereira. O BMW manteve-se na frente durante quatro voltas até ser ultrapassado pelo Chevrolet Corvette L88 de Pedro Bethencourth, Jorge Nogueira Pinto e Francisco Pinto Abreu, o carro mais rápido em pista. Quando o “muscle car” americano acabou por abandonar, a dupla do BMW regressou ao comando. Discreto mas eficaz, Wegener manteve o Alfa sempre no grupo da frente, entregando o turno final ao jovem compatriota Finn Gehrsitz, piloto Lexus no Mundial de Resistência (WEC). Com um ritmo muito forte nas voltas decisivas, Gehrsitz assumiu a liderança a 15 voltas do fim e selou uma vitória justa para a Fernandes Racing. Luís Sousa Ribeiro e Ricardo Pereira terminaram em segundo, enquanto Piero del Maso e o filho, Guilhermo, concluíram em terceiro com o Porsche 911 2.5 ST da Garagem João Gomes. Apesar do atraso de duas voltas, a dupla pôde celebrar em grande, ao garantir o “1000 km Trophy” da temporada 2025 do Iberian Historic Endurance.
Na categoria Gentlemen Driver Spirit (GDS), a luta pela vitória ficou bem desenhada logo na qualificação, com um duelo anunciado entre o MG B Roadster de Paul Rayment / James Wheeler e o Austin Mini Cooper S da Dorset Racing, guiado pelos britânicos Ellie Birchenhough, Nick Topliss e Richard Parsons, autores do melhor tempo nos treinos cronometrados. Em corrida, a experiência de Rayment e Wheeler acabou por falar mais alto: a dupla impôs o seu ritmo e conquistou o triunfo com uma volta de avanço sobre Nuno Nunes, segundo classificado ao volante de um Porsche 911 SWB. O combativo Austin Mini Cooper S completou o pódio da categoria, depois de uma corrida intensa entre estes três protagonistas. O Mini liderou as duas primeiras voltas, o Porsche assumiu o comando à terceira, a Dorset Racing voltou à frente nove voltas depois e Nuno Nunes regressou ao topo à 27.ª volta. Na fase decisiva, o MG B Roadster aproveitou a consistência e o conhecimento do traçado para assumir a liderança na 37.ª volta e defendê-la com autoridade até à bandeira de xadrez.
Index de Performance: Tourneur volta a brilhar com o Porsche 356
A festa dos 250 km do Estoril by Powershield ficou completa com a atribuição do prémio do Index de Performance, uma classificação especial que não se baseia na ordem de chegada, mas sim no rendimento relativo de cada viatura face ao seu potencial técnico. Pelo segundo ano consecutivo, o vencedor foi o francês Vincent Tourneur, aos comandos do seu carismático Porsche 356 Speedster de 1954, um verdadeiro ícone do património automóvel e o primeiro modelo de competição-cliente alguma vez produzido pela Porsche. O piloto recebeu um relógio exclusivo da Cuervos y Sobrinos, associado a este prestigiado troféu.

O pódio do Index de Performance foi completado pelos britânicos Ellie Birchenhough, Nick Topliss e Richard Parsons, cujo Austin Mini Cooper S alcançou o segundo lugar, e pelo brasileiro Fabiano Vivacqua Jr., que levou o Porsche 356 B d ao terceiro posto. Uma forma perfeita de encerrar um fim de semana que mais uma vez confirmou os 250 km do Estoril como uma das grandes provas de resistência para clássicos na Europa.



