Pedro Silva regressa aos pisos de terra no Rali Casinos do Algarve determinado em defender o segundo lugar no CPR 2RM, mas deixa um forte alerta sobre o aumento dos custos das inscrições. O piloto considera que valores superiores a 2.000 euros por prova estão a colocar em causa a sustentabilidade dos projetos e admite mesmo que o abandono do campeonato possa tornar-se inevitável.
Navegado por Valter Cardoso e aos comandos do Lancia Ypsilon Rally4 HF da Vision Motorsport, o piloto embaixador das Terras de Oiro e da Beira Baixa chega ao Algarve motivado para dar continuidade ao bom momento e consolidar a posição conquistada quando faltam apenas três provas para o final da temporada.
Embora reconheça que a terra não é o piso onde se sente mais confortável, Pedro Silva encara com confiança uma prova onde tem conseguido boas prestações: “A terra não é o piso onde me sinto mais confortável, mas temos vindo a evoluir ao longo dos tempos. Trabalhamos muito e queremos continuar a melhorar nesse sentido. O Algarve é uma prova de que gosto e onde tenho tido boas prestações. Isso dá-nos uma motivação extra.”
O resultado alcançado em Chaves reforçou ainda mais a confiança da dupla: “Chegamos aqui depois de um resultado muito positivo em Chaves, que nos permitiu subir ao segundo lugar do campeonato. Queremos aproveitar esse momento e dar continuidade aos bons resultados.”
Com a temporada a entrar na fase decisiva, a prioridade passa por encontrar rapidamente um bom ritmo e manter a consistência: “Sabemos que a concorrência vai ser muito forte e que teremos de estar ao nosso melhor nível, mas vamos trabalhar desde o primeiro quilómetro para lutar pelos lugares da frente e defender a nossa posição no campeonato.”
«O mais certo é começarmos a deixar o CPR»
Pedro Silva aproveitou, contudo, a antevisão do Rali Casinos do Algarve para deixar uma crítica contundente aos custos cada vez mais elevados associados à participação no CPR, nomeadamente ao valor das inscrições: “Quando pagamos uma inscrição de mais de 2.000 euros para um rali, não sei onde isto vai parar. Está-se a perder a noção do valor do dinheiro e acho que devemos reunir-nos todos e perceber o que está a acontecer de menos bem.”
O piloto considera que o problema vai além do custo natural de colocar um projeto competitivo na estrada e aponta também para o crescente peso financeiro que acaba por recair sobre as equipas: “Não podem ser os pilotos a sustentar os campeonatos. Cada vez mais os ralis são dispersos, com muitos quilómetros de ligação para chegarem aos municípios que querem o rali nos seus territórios, mas a conta continua a aumentar para os pilotos.”
E deixa mesmo um aviso sobre aquilo que poderá acontecer se a tendência se mantiver: “O mais certo é começarmos a deixar o CPR. Só vejo esse caminho.”
O Rali Casinos do Algarve, marcado para 2 e 3 de outubro, assinala o regresso do Campeonato de Portugal de Ralis aos pisos de terra e será mais um momento importante para Pedro Silva e Valter Cardoso na defesa do segundo lugar entre as duas rodas motrizes.
