Exemplar único construído a partir do Supra Mk.IV Bi Turbo é uma das máquinas mais aguardadas da 10.ª edição
O Estoril Classics celebra este fim de semana a sua 10.ª edição e, entre as muitas máquinas históricas que vão passar pelo Autódromo do Estoril, há uma cuja história merece atenção especial. O Toyota Supra GT2 é um exemplar único, nascido de um projeto privado que ousou enfrentar os poderosos programas oficiais do GT europeu.
A história remonta ao início dos anos 2000, quando Jean Pierre Signoret e Jacques Point decidiram transformar um Toyota Supra Mk.IV Bi Turbo num verdadeiro GT2. Sem apoio oficial da Toyota e numa época em que o Campeonato Francês FFSA GT era território de máquinas como os Chrysler Viper GTS-R e Porsche 911, o objetivo era tão simples de definir quanto difícil de concretizar: construir um carro capaz de lhes fazer frente.
Para isso foram utilizados componentes oriundos dos GT500 japoneses, incluindo uma carroçaria em fibra de carbono, cubos de aperto central, travões AP Racing e jantes Enkei de 18 polegadas.
O lendário 2JZ-GTE no coração da máquina
O motor não podia deixar de ser um dos elementos centrais do projeto. O célebre seis cilindros em linha 2JZ-GTE foi preparado pela TEAM4 em colaboração com a ORECA, recebendo gestão eletrónica Magneti Marelli e diferentes mapas desenvolvidos pela ORECA Moteur para adaptação às exigências de qualificação, corridas longas ou condições de chuva.
Com cerca de 1.200 kg e caixa sequencial Quaife de seis velocidades, o Supra beneficiou ainda do trabalho de desenvolvimento de Soheil Ayari, piloto com experiência em Le Mans.
A estreia aconteceu em 2004 no Campeonato Francês FFSA GT. A sonoridade do seis cilindros, a aparência inspirada nos radicais GT500 e, sobretudo, a natureza independente do projeto rapidamente transformaram o Supra numa das máquinas mais carismáticas do pelotão, competindo em pistas como Dijon-Prenois, Magny-Cours e Nogaro.
Depois de vários anos afastado da competição, o Toyota Supra GT2 encontrou uma segunda vida nas provas históricas. E é precisamente nessa condição que chega agora ao Estoril.
A presença deste exemplar raro será, assim, mais um dos pontos de interesse de um Estoril Classics que comemora dez edições, proporcionando ao público português a oportunidade pouco comum de voltar a ver em ação uma máquina onde se cruzam engenharia japonesa, criatividade francesa e uma boa dose daquela irreverência que tantas histórias memoráveis deixou no automobilismo europeu.
