Montanha

José Carlos Magalhães: “O CPM 1300 está lançado e a MNE Sport quer ser protagonista”

José Carlos Magalhães faz um balanço exigente, mas confiante, da primeira metade da temporada no Campeonato de Portugal de Montanha 1300 JC Group. Aos comandos do Peugeot 205 Rallye, o piloto e líder da MNE Sport tem estado repetidamente muito perto dos lugares de topo, mas viu vários contratempos técnicos impedirem que os resultados traduzissem o potencial demonstrado em prova.

Entre problemas de caixa, questões elétricas, falhas de fiabilidade e pequenos episódios que fizeram grande diferença, José Carlos Magalhães assume que ficou a sensação de que a vitória já podia ter surgido: “Estive sempre muito perto, mas depois acabámos por perder por coisas pequenas, que infelizmente não deixaram que o resultado fosse aquele que queria. Estou convencido de que já poderíamos ter conseguido algo melhor”, afirma o piloto da MNE Sport.

Ao longo das primeiras provas, o Peugeot 205 Rallye foi revelando competitividade, mas também alguns pontos a resolver. Em Murça, uma questão relacionada com a caixa de velocidades obrigou a trabalho extra da equipa. Na Penha, onde José Carlos Magalhães tinha grande expectativa de lutar pela vitória, um problema no distribuidor impediu uma prova limpa, ainda que a última subida tenha confirmado o andamento do conjunto.

“Na Penha tinha muita esperança de poder ganhar, porque conheço bem a rampa. O problema no distribuidor condicionou-nos bastante, mas na última subida, já limpa, consegui fazer o segundo tempo. Isso mostrou que havia margem para algo muito melhor”, recorda.

Na Rampa Serra da Estrela-Covilhã, José Carlos Magalhães esteve novamente muito perto do triunfo, numa prova decidida por uma margem mínima. Ainda assim, o fim de semana deixou uma marca importante: o recorde dos 1300 na rampa.

“A Serra da Estrela foi, sem dúvida, a prova em que estive mais perto da vitória. Deu muito gozo lutar daquela forma e valeu, pelo menos, pelo recorde dos 1300 da rampa, que foi algo muito bom”, sublinha.

Já na Rampa do CAR, em Santa Marta de Penaguião, nova contrariedade logo no arranque comprometeu o fim de semana. A quebra da embraiagem e, posteriormente, problemas de temperatura no Peugeot 205 Rallye voltaram a impedir uma classificação mais condizente com a ambição do piloto.

Depois desses contratempos, a MNE Sport trabalhou para resolver os problemas detetados e o resultado surgiu na Rampa Capital do Móvel, em Paços de Ferreira, onde José Carlos Magalhães voltou a mostrar andamento de vitória e a confirmar que o projeto está cada vez mais competitivo.

“O Peugeot 205 Rallye está neste momento a um nível muito bom. A única questão que ainda queremos melhorar é a dos travões, que será trabalhada. Pelo carro, estou convencido de que conseguimos chegar lá”, afirma.

Apesar de reconhecer o mérito dos adversários, em especial de Armando Freitas pelo arranque forte de temporada e de Diogo Marques pela competitividade demonstrada em Paços de Ferreira, José Carlos Magalhães considera que a luta no Campeonato de Portugal de Montanha 1300 JC Group está longe de estar encerrada: “Está lançado o campeonato. Sei que é muito difícil chegar ao título, e há que dar mérito ao Armando, que fez quatro primeiras provas muito boas. Mas estou convencido de que as próximas três provas vão ser bastante competitivas. Podemos ganhar alguma delas, ou até as três. Ainda é possível ser campeão. Logo se vê”,

Para a segunda metade da época, o objetivo é assumido sem rodeios: “O objetivo é vencer as provas. Não há outro objetivo. Queremos ganhar as três provas que faltam”.

MNE Sport aposta no presente e no futuro da Montanha

Para além da sua vertente de piloto, José Carlos Magalhães faz também um balanço positivo da evolução da MNE Sport enquanto estrutura. A equipa tem vindo a consolidar a sua presença na Montanha nacional, apostando em projetos competitivos e no acompanhamento de pilotos em diferentes fases das suas carreiras.

Um dos nomes em maior destaque é Salvador Coelho, jovem piloto de apenas 17 anos, que tem dado excelente conta de si aos comandos do Toyota Yaris no Campeonato de Portugal de Montanha 1300 JC Group.

“Temos o Salvador Coelho, que no ano passado fez duas provas com o Uno, ainda com 16 anos, e este ano já está connosco com 17. É um jovem que praticamente só conduz quando vai para as provas, porque ainda não conduz no dia a dia. Fizemos uma preparação bastante boa para ele e acho que tem conseguido cumprir muito bem”, explica José Carlos Magalhães.

O líder da MNE Sport não esconde o entusiasmo com o potencial do jovem piloto: “O Salvador tem tudo para crescer e para ser um miúdo de montanha. A continuar, estou convencido de que será uma das certezas no futuro da modalidade. Agora é importante que consiga criar apoios para continuar, porque talento e vontade existem”, sublinha.

José Carlos Magalhães destaca ainda o momento positivo que a Montanha atravessa ao nível da renovação geracional: “A Montanha tem neste momento vários jovens com muito potencial. Isso deixa-me muito feliz, porque mostra que há futuro e que estamos a conseguir passar esta paixão às novas gerações”, afirma.

Na estrutura da MNE Sport, há também espaço para outros projetos, como Paulo Oliveira, que continua o seu percurso de aprendizagem e consolidação nos 1300, e Ivo Machado, piloto com vasta experiência no automobilismo enquanto navegador de ralis e que tem vindo a descobrir a Montanha com objetivos bem definidos.

“Temos pilotos com perfis diferentes, ambições diferentes e fases diferentes de evolução. O importante é criar condições para que todos possam competir, crescer e desfrutar da modalidade”, refere José Carlos Magalhães.

Com três provas ainda por disputar, a MNE Sport olha para a segunda metade da temporada com ambição reforçada. José Carlos Magalhães quer lutar por vitórias, manter vivo o campeonato e contribuir para afirmar ainda mais o Campeonato de Portugal de Montanha 1300 JC Group como uma das competições mais competitivas e interessantes da Montanha nacional.

“Quero ganhar, obviamente, e vou lutar pelo campeonato. O Campeonato de Portugal de Montanha 1300 JC Group é tão ou mais competitivo como qualquer outro e merece ter a notoriedade que deve ter. E eu acho que merece muita”, conclui.

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