Ralis

Mário Castro e Ricardo Cunha vítimas de um autêntico calvário em Resende

Problemas mecânicos sucessivos impediram a dupla da Liber Jeans de lutar pelos lugares da frente no III Rally Rota da Cereja de Resende.

Há fins de semana em que nada parece correr como previsto e o III Rally Rota da Cereja de Resende foi, para Mário Castro e Ricardo Cunha, o exemplo perfeito dessa realidade. A dupla da Liber Jeans viveu um verdadeiro calvário ao volante do Renault Clio R3T, vendo fugir qualquer possibilidade de discutir os lugares cimeiros logo nas primeiras especiais da prova.

Depois de uma preparação cuidada e de todas as expectativas apontadas para uma luta pela vitória nas Duas Rodas Motrizes e por um lugar de destaque na classificação geral, a sorte voltou a virar costas à equipa.

Tudo começou ainda na primeira etapa, quando um problema na bomba de gasolina obrigou ao abandono na segunda passagem pela classificativa de Caldas de Aregos, comprometendo de imediato todas as ambições desportivas: “Este Rally Rota da Cereja é assumidamente para esquecer. Logo no início do rali ficámos pelo caminho com problemas na bomba de gasolina e tudo ficou estragado quanto aos nossos objetivos.”

Apesar do duro revés, a equipa recusou baixar os braços.  Por respeito aos patrocinadores, aos parceiros e ao intenso trabalho desenvolvido na preparação da prova, Mário Castro e Ricardo Cunha decidiram regressar no domingo ao abrigo do Super Rally, aproveitando igualmente a oportunidade para testar as alterações entretanto introduzidas no Renault Clio R3T: “Por respeito aos nossos patrocinadores e também com o intuito de testar algumas das alterações que tínhamos feito no carro para esta prova, arrancámos para a segunda etapa, mas também aí nada correu bem.”

Os problemas, porém, estavam longe de terminar. Logo na primeira classificativa de domingo começaram a surgir dificuldades ao nível dos travões. Pouco depois, a equipa descobriu que parte de um calço de travão se tinha soltado da viatura: “Fomos para a classificativa seguinte com todos os cuidados, apenas com o objetivo de chegar à assistência e resolver o problema. Foi o que fizemos e, já com o carro em perfeitas condições, conseguimos finalmente fazer um bom tempo. Não fosse a minha cabeça já não estar totalmente ‘limpa’, esse tempo poderia até ter sido melhor.”

Quando tudo parecia finalmente encaminhar-se para um final de prova positivo, novo contratempo: “Na classificativa seguinte, onde também rodávamos num bom ritmo, surgiu um alarme de temperatura. Levantei imediatamente o pé e fui arrastando o carro até ao final da especial para evitar um problema mecânico ainda mais grave.”

Perante a sucessão de dificuldades, a decisão tornou-se inevitável: “Perante tudo isto, só faltava mesmo continuar e bater. Decidi desistir e colocar um ponto final neste rali, em que é caso para dizer que estaria bem melhor em casa.”

O abandono em Resende representa mais um duro golpe nas aspirações da dupla da Liber Jeans nas contas do Campeonato Norte de Ralis, embora Mário Castro garanta que o compromisso com a equipa e com os patrocinadores permanece inalterável: “O campeonato já era uma miragem, mas agora ficou definitivamente impossível. Ainda assim, continuaremos até ao final da época, porque todos os nossos patrocinadores e todas as pessoas que tanto trabalham connosco merecem esse esforço.”

Num fim de semana particularmente difícil, restou ainda um motivo de satisfação ao experiente piloto: “Como consolação, vejo os meus sobrinhos em grande e cada vez mais perto dos títulos que tanto merecem.”

Apesar de um Rally Rota da Cereja para esquecer, a equipa da Liber Jeans mantém intacta a determinação para regressar rapidamente aos bons resultados e terminar a temporada ao nível que o potencial do Renault Clio R3T tem demonstrado ao longo dos últimos anos.

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