José Correia imperial em Boticas deixa luta pelo título ao rubro

Bracarense venceu as seis subidas do programa e liderou um pódio formado pelos três candidatos ao título absoluto. Excelente organização do Demoporto e muito público marcaram uma Rampa Internacional de Boticas recheada de grandes duelos.
A Rampa Internacional de Boticas confirmou plenamente o estatuto de uma das grandes provas do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group. A sexta jornada da temporada proporcionou intensa competição num dos traçados mais exigentes do calendário, perante uma excelente moldura humana e com emoção constante nas muitas lutas travadas ao segundo, ao décimo e, não raras vezes, ao milésimo. O Demoporto voltou a apresentar uma máquina organizativa muito bem afinada. Foram muitos os incidentes registados, mas a experiente estrutura respondeu sempre com rapidez e eficácia.
José Correia assina uma exibição de luxo
Há fins de semana em que um piloto simplesmente não deixa nada para os adversários. Foi exatamente isso que José Correia fez em Boticas. O piloto e patrão da JC Group Racing Team assinou uma das melhores exibições vistas nos últimos anos no Campeonato de Portugal de Montanha, impondo a poderosa Osella PA30 em todas as ocasiões em que entrou em pista.
Foram seis subidas e seis melhores tempos: três nas Subidas de Treinos Oficiais e três nas Subidas de Prova. Correia já tinha terminado o sábado com uma vantagem expressiva e no domingo não levantou minimamente o pé. Voltou a ser o mais rápido nas duas subidas decisivas e fechou as contas com 4:35,389, vencendo por expressivos 9,525 segundos. Uma vitória categórica, construída num traçado particularmente exigente e que reforça fortemente a candidatura do bracarense à conquista do título absoluto.

Se Correia esteve inalcançável, Nuno Caetano voltou a confirmar o excelente momento que atravessa. Depois da histórica primeira vitória absoluta alcançada na Rampa Capital do Móvel, o piloto português radicado em Londres voltou a colocar a Osella PA2000 EVO2-PA30 da Power House no pódio. Caetano terminou a cerca de 9 segundos, num importante segundo lugar, demonstrando novamente que velocidade e consistência não lhe faltam para discutir o campeonato até ao fim.

E depois há Tomás Pinto. Ou, como começa a ser inevitável chamar-lhe, “Super Tomás”. O jovem piloto da Famaconcret Racing Team viveu um sábado de contrastes. Dominou claramente entre os Protótipos B nos treinos, chegou a ser segundo absoluto, mas foi fortemente prejudicado pela chuva na primeira Subida de Prova.
No domingo respondeu como os grandes pilotos respondem: atacando. Com 2:23,690 e 2:24,045 nas duas subidas decisivas, levou o BRC CM05 Evo até ao terceiro lugar absoluto, e conquistou mais uma vitória categórica entre os Protótipos B. Aqui, atrás de Tomás Pinto terminaram Gonçalo Inácio (BRC B49) e Sérgio Nogueira (Silver Car S3), com Nuno Guimarães a ficar a escassos 176 milésimos do pódio.
José López-Fombona, no espetacular Audi RS5 DTM, foi quarto, seguido por Carlos Gonçalves, em Osella PA21/S, e pelo campeão nacional Hélder Silva, na Osella PA21/S Evo. Gonçalo Inácio, Sérgio Nogueira, Nuno Guimarães e Luís Nunes completaram, por esta ordem, o Top 10 absoluto.
José Rodrigues só precisou de duas subidas para dominar os GT
Na Categoria GT, a superioridade de José Rodrigues voltou a ser esmagadora. Mesmo recorrendo ao seu “antigo” Porsche 997 GT3 Cup, o campeão nacional em título mostrou-se completamente senhor dos acontecimentos. Tal foi a vantagem construída que Rodrigues apenas necessitou dos tempos das duas primeiras Subidas de Prova para garantir a vitória, terminando com 5:09,650.

Atrás do vencedor, aplauso para Daniel Vilaça, segundo com 5:21,501, e para Beatriz Correia, terceira com 5:28,398. Ambos continuam a realizar excelentes temporadas e saem de Boticas separados por uma margem muito curta nas contas do campeonato, mantendo um interessante taco-a-taco pela condição de vice-campeão nacional de GT.
Luís Delgado venceu grande batalha dos Turismos
A ausência de Pedro Alves abriu completamente a discussão pela vitória na Categoria Turismo, e quem melhor aproveitou foi Luís Delgado. O piloto flaviense regressou em grande nível e levou o Kia Cee’d ao triunfo com 5:10,966, numa prestação que o colocou inclusivamente muito perto dos dez primeiros absolutos.
Delgado teve, porém, de contar com a forte oposição de Guilherme Silva. O piloto do Audi RS3 LMS foi particularmente competitivo, assegurando o segundo lugar da geral dos Turismo e dos Turismo 2. Apenas 9,924 segundos separaram os dois no somatório das duas melhores Subidas de Prova.

A batalha pelo último lugar do pódio absoluto da categoria foi ainda mais apertada e terminou favoravelmente para Daniel Pacheco. O piloto do Mitsubishi Lancer Evo X venceu os Turismo 1 e fechou a prova com 5:21,562, apenas 0,303 segundos à frente de Parcídio Summavielle, que levou o Škoda Fabia R5 aos 5:21,865. Uma diferença mínima, bem ilustrativa do nível de competitividade vivido em Boticas.
Nos Turismo 1, portanto, Pacheco impôs-se a Summavielle, enquanto Paulo Silva, com o Ford Fiesta R5, completou o pódio da divisão. A vitória nos Turismo 2 ficou nas mãos de Luís Delgado, secundado por Guilherme Silva.
Muito animada esteve igualmente a luta nos Turismo 3, onde Nuno Guimarães levou de forma brilhante a melhor com o Ginetta G40. Logo atrás, Carlos Silva colocou o Renault Clio RS na segunda posição, a 3,2 segundos, enquanto Aníbal Pinto, também em Renault Clio RS, terminou em terceiro, somente 728 milésimos atrás de Carlos Silva. Uma luta cerradíssima que se prolongou até à derradeira subida e mostrou como cada milésimo contou.
Oito vezes Luís Nunes!
Se houve um título nacional que ficou resolvido em Boticas foi o da Categoria Super Challenge. E o protagonista só poderia ser Luís Nunes. O piloto de Valpaços voltou a realizar uma exibição de enorme nível com o Škoda Fabia R5, vencendo a categoria e os SC-A, num andamento que lhe permitiu terminar num impressionante 10.º lugar da classificação absoluta do CPM. Mais importante ainda, confirmou matematicamente o oitavo título nacional de categoria da carreira, distribuídos entre Turismo e Super Challenge, reforçando um palmarés que o coloca indiscutivelmente entre as grandes figuras da história da Montanha portuguesa.

A superioridade de Nunes não retirou brilho à excelente prestação de José Pires. O imponente Nissan GT-R R35 mostrou-se particularmente eficaz nos 5,11 quilómetros de Boticas e levou o seu piloto ao segundo lugar dos SC-A e da categoria. E foi igualmente muito positivo o regresso de José Lameiro: depois da paragem, o piloto da Diatosta rapidamente reencontrou o ritmo competitivo e colocou o Škoda Fabia MK3 no terceiro degrau do pódio.
A grande surpresa nos SC-B veio de Césaro Simões. O espetacular BMW F82 M4 esteve em excelente plano e o piloto soube explorar todo o potencial para conquistar uma categórica vitória. Também muito forte esteve Luís Silva, que no regresso do poderoso BMW E30 M3 da Famaconcret Racing Team ficou a 5,698 segundos do vencedor e garantiu o segundo lugar. O piloto de Boticas Bruno Gonçalves, aos comandos do Volkswagen Golf GTI R35, completou o pódio da divisão, numa prestação muito consistente.
Já entre os SC-C, Bruno Carvalho voltou a mostrar por que razão tem sido a grande referência da divisão ao longo da temporada. O lisboeta impôs o rapidíssimo Citroën Saxo S1600 em 5:26,058, mas encontrou em Alberto Pereira um adversário de grande nível. O piloto do Honda Civic Type R terminou segundo, a 9 segundos, enquanto Francisco Vieira Leite, sempre eficaz com o Toyota Corolla T-Sport, assegurou o terceiro posto.
Nos SC-D, Bruno Gomes prolongou a extraordinária campanha que tem realizado. O piloto de Lousada voltou a colocar o Fiat Punto 85 Sport no lugar mais alto do pódio. A segunda posição pertenceu a Tiago Teixeira, com o Peugeot 106 Rallye, enquanto Miguel Ângelo Oliveira, aos comandos do Peugeot 106 XSI, completou o trio da frente.



