Dakar: João Ferreira resiste à dureza da maratona e termina dia em 17.º

A primeira metade da etapa maratona do Dakar 2026 revelou-se particularmente madrasta para uma parte significativa do pelotão, com vários pilotos a enfrentarem dificuldades sérias. Apesar de um dia condicionado pela posição de partida, João Ferreira conseguiu gerir o esforço e concluiu a jornada na 17.ª posição, tanto na etapa como na classificação geral, mantendo-se em condições favoráveis para atacar os lugares cimeiros na segunda metade da maratona.
O piloto da Repsol Portugal viu o seu ritmo limitado desde cedo pelo tráfego em pista, num contexto que não permitia grandes riscos sem comprometer a continuidade em prova. Ainda assim, a opção por uma abordagem prudente revelou-se acertada num dia marcado por incidentes que afetaram vários nomes de referência do rali.
“A posição de partida acabou por condicionar bastante o que era possível fazer hoje. Apanhámos tráfego desde cedo e, nestas condições, não havia grande margem para arriscar mais sem comprometer o essencial”, explicou João Ferreira no final da etapa. “A prioridade passou por evitar situações que pudessem ter consequências mais sérias, como aconteceu a pilotos de referência, incluindo o vencedor do Dakar 2025.”
O piloto português sublinhou ainda a importância de uma visão estratégica numa prova desta dimensão: “O Dakar está longe de ser um sprint. Olhando para a classificação e para o tempo para a frente da corrida, pode parecer que estamos numa posição delicada, mas esta é uma prova que se constrói ao longo de muitos dias, com fases muito distintas. A consistência, a gestão e a capacidade de chegar ao fim continuam a ser determinantes, e só no final é que se fazem verdadeiramente as contas.”
A quinta etapa do Dakar 2026 dá continuidade à fase de maratona sem assistência externa, ligando AlUla a Hail através de uma especial cronometrada de cerca de 372 quilómetros, integrada num total aproximado de 428 quilómetros, incluindo ligações. Tal como no dia anterior, a etapa arrancará ao amanhecer, com um desafio acrescido para os pilotos que partem na frente: a navegação sem referências de trilhos, deixadas pelas motos, poderá complicar significativamente a orientação nos setores iniciais. A gestão do ritmo, a leitura do terreno e a fiabilidade mecânica voltarão a ser fatores decisivos numa das fases mais exigentes do Dakar 2026.



