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Portugueses reconquistam Fronteira: vitória épica quebra domínio francês após 14 anos

A 27.ª edição da bp Ultimate 24 Horas TT Vila de Fronteira ficou marcada por um feito histórico: a vitória totalmente portuguesa de Luís Cidade, João Monteiro, Mário Franco e Pedro Santinho Mendes. A equipa, que se reuniu pela primeira vez para este desafio, conquistou a mais emblemática prova de resistência do todo-o-terreno nacional ao volante de um SSV Can-Am, quebrando o domínio francês que durava desde 2011. Um triunfo épico que devolve Portugal ao topo desta clássica do automobilismo.

Foi uma maratona de pura sobrevivência, onde favoritos desistiram, protótipos ficaram pelo caminho e a chuva transformou a pista num campo de batalha. E se houvesse um prémio de “Piloto do Evento”, Luís Cidade seria o vencedor: fez a pole-position, ganhou as 4 Horas SSV e terminou a corrida das 24 Horas ao volante, num fim de semana absolutamente memorável.

Mais de 300 pilotos estiveram em pista e milhares de adeptos encheram o Terródromo de Fronteira durante todo o fim de semana, assistindo ao regresso de Portugal às vitórias, algo que não acontecia desde 2010, quando a formação de Pedro Lamy, José Pedro Fontes, Luís Silva e António Coimbra levou a melhor com o BMC-BMW.

A competitividade dos protótipos franceses — máquinas altamente evoluídas — e a experiência dos seus pilotos explicavam o longo reinado gaulês. Mas este ano a South Racing Can-Am montou uma equipa forte, experiente e rápida, capaz de transformar um SSV num candidato real ao triunfo absoluto.

Liderança desde o início… e um susto final

A formação portuguesa assumiu o comando logo na primeira volta, após ter sido a mais rápida nos treinos cronometrados. Ainda assim, a corrida esteve longe de ser linear. A equipa Laurent Poletti/Ronald Basso/Tiago Reis chegou a liderar, mas um reabastecimento ilegal fora da zona permitida resultou numa penalização de 15 voltas, seguida de problemas mecânicos que ditaram o abandono.

A noite e a chuva provocaram estragos. O protótipo AC Nissan de Mário Andrade partiu a suspensão traseira numa saída de pista, perdendo muito tempo nas boxes. Mesmo assim, regressariam à luta, realizando uma recuperação impressionante até voltarem ao pódio.

A cinco horas do fim, um problema elétrico no Can-Am Maverick R colocou a vitória portuguesa em risco. A equipa perdeu 1h40 nas boxes, permitindo que o AC Nissan voltasse à liderança. Contudo, novos problemas — quebra de rendimento do motor e sucessivas trocas da correia do alternador — devolveram a vantagem ao quarteto português, que resistiu à pressão até ao último minuto. “Ninguém merece sofrer tanto”, confessou João Monteiro, emocionado, após a vitória.

Foi uma prova muito difícil. Tivemos um contratempo, mas a equipa resolveu o problema. Nas últimas horas gerimos o andamento e conseguimos um fim de semana inacreditável. Estou mais feliz com as duas vitórias do que cansado por disputar duas corridas”, afirmou Luís Cidade, responsável por abrir e fechar a corrida.

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