Dakar 2026: uma travessia épica do Mar Vermelho ao coração do deserto saudita
De 3 a 17 de janeiro, e pelo sétimo ano consecutivo, o Rali Dakar terá como palco a Arábia Saudita. A edição de 2026 apresenta um dos percursos mais exigentes e completos desde a estreia do evento no país, em 2020, propondo uma verdadeira travessia que liga a costa do Mar Vermelho ao deserto profundo do interior saudita.
Realizado sob a supervisão do Ministério do Desporto, com o apoio da Federação Saudita e promovido pela Saudi Motorsport Company, o Dakar 2026, organizado pela ASO, eleva novamente a fasquia do desafio. O percurso totaliza 7.999 quilómetros, dos quais 4.845 km correspondem a especiais cronometradas, ficando muito próximo da maior distância competitiva registada na era saudita da prova.
A estrutura do rali foi pensada para equilibrar intensidade e gestão de esforço. Menos bivouacs e etapas maratona redesenhadas moldam um ritmo exigente, mas com janelas estratégicas de recuperação. Para os 812 concorrentes de 69 países, esta edição promete um desafio à altura do nome Dakar, onde cada região impõe exigências próprias e recompensa quem conseguir adaptar-se, manter a concentração e gerir duas semanas de competição extrema.
Yanbu assume um papel central no Dakar 2026, acolhendo tanto a partida como a chegada do rali. É nesta cidade costeira do Mar Vermelho que se disputam o Prólogo, as etapas 1 e 2, bem como a 13.ª e derradeira etapa. A região combina planícies de cascalho, corredores rochosos e zonas de areia solta, cuja cor e textura variam ao longo do dia. A transição entre a tranquilidade costeira e o interior mais acidentado oferece desde cedo uma amostra clara do carácter da prova, fechando o ciclo quando os concorrentes regressarem a Yanbu para a consagração final.
Após as primeiras etapas, o rali ruma a Al-Ula, uma das paisagens mais distintas de toda a edição. Trilhos arenosos cruzam vastos espaços abertos e contornam formações rochosas milenares, com poucos pontos de referência visuais, tornando a navegação determinante. A alternância constante entre planícies, colinas e zonas rochosas obriga a mudanças frequentes de ritmo. Aqui disputa-se uma das etapas maratona, com acampamento rudimentar e assistência mínima, colocando à prova a gestão mecânica e a resistência das equipas num cenário de grande impacto visual.
Hail marca o regresso a uma região profundamente ligada à história do Dakar na Arábia Saudita. É nesta zona que se disputa a etapa mais longa do rali, em direção a Qassim. O dia decorre quase integralmente na areia, com extensos campos de dunas e vales amplos onde o terreno muda pouco, mas o ritmo varia constantemente. Antes de uma longa ligação até Riade, os concorrentes enfrentam uma especial exigente nas dunas profundas, num dos dias mais duros de toda a edição, que antecede o merecido dia de descanso.
Riade simboliza o início da transição para a segunda semana do rali. A etapa que parte da capital exige prudência e maturidade competitiva. Pistas arenosas e rápidas dominam o percurso, pontuadas por zonas de vegetação densa. À primeira vista pouco perigosas, estas condições escondem a tentação de forçar em demasia. Com uma distância total próxima dos 900 km, entre especial e ligações, a concentração torna-se vital até à chegada a Wadi Al-Dawasir.
Wadi Al-Dawasir devolve o Dakar ao deserto na sua forma mais pura. Inserida numa das maiores regiões de dunas do país, esta zona oferece uma combinação clássica de longas linhas de areia e vales extensos, exigindo um ritmo constante e uma navegação rigorosa. Apesar de aparentemente simples, qualquer erro pode custar muito tempo, ainda para mais tratando-se da segunda etapa maratona. A vastidão do território testa a resistência física e mental, evocando o espírito mais autêntico do Dakar, independentemente do continente onde se dispute.
Em Bisha, o desafio assume uma natureza diferente. Aqui, a dificuldade reside sobretudo na navegação. As pistas permitem velocidades elevadas, mas a multiplicidade de cruzamentos e bifurcações inesperadas transforma a especial num verdadeiro labirinto. Os navegadores têm um papel crucial, sobretudo face aos longos quilómetros diários, e quem conseguir manter clareza de decisões e gestão de ritmo ganhará vantagem na aproximação a Al-Henakiyah.
Al-Henakiyah surge como a última grande oportunidade para mexer nas classificações. O terreno muda constantemente, alternando entre pistas rápidas e secções mais técnicas e sinuosas, algumas em leitos de rios onde as condições podem alterar-se sem aviso. A etapa termina com uma sequência de pequenas dunas que, apesar da aparência modesta, exigem atenção total. Depois disso, resta a consagração final e as derradeiras batalhas rumo a Yanbu, onde o Dakar 2026 escreverá o seu capítulo final.
Com um percurso exigente, variado e profundamente ligado à identidade do rali, o Dakar 2026 promete honrar, uma vez mais, o estatuto de prova mais dura e desafiante do todo-o-terreno mundial.




