Ferrari vence edição centenária das 24 Horas de Le Mans!

A Ferrari não podia ter pedido melhor regresso às 24 Horas de Le Mans, já que venceu a 91ª edição da prova – que marca o 100º aniversário da mesma – batendo a grande favorita Toyota, após um duelo épico entre o 499P # 50 de Alessandro Pier Guidi, James Calado e Antonio Giovinazzi e o GR 010 # 8 de Ryo Hirakawa, Sébastien Buemi e Brendon Hartley.

E isto após ambas as formações terem sofrido dissabores com os seus dois outros Hypercar, já que o 499 P # 50 – que largara da ‘pole-position’ – teve problemas e o GR # 7 abandonou. Sendo que na grande clássica francesa de resistência o pódio final espelhou a atual dimensão do Campeonato do Mundo de Endurance, uma vez que a terceira posição fiinal foi para o Cadiillac V-RS # 2 de Earl Bamber, Alex Lyynn e Richard Westbrook.
Foi uma corrida duríssima, marcada em certas fases por chuva intensa, e sobretudo por múltiplos acidentes e incidentes, em que, de uma forma ou de outra Ferrari e Toyota foram escapando, até verem um dos seus protótipos sofrerem percalços. Mesmo os vencedores passaram por alguns ‘calafrios’, como foi uma ligeira saída de Pier Guidi na primeira chicane de Mulsanne durante a noite. Depois a equipa do # 51 recompôs-se e voltou ao comando, chegando a deter quase um minuto de vantagem sobre o Toyota # 8.

Essa diferença praticamente foi anulada quando o italiano fez um ‘pitstop’ na passagem da 19ª volta. Isso fez a marca japonesa voltar à discussão pela vitória, rodando a escassos segundos do líder.
Mas a Ferrari voltou a levar vantagem já que Hirakawa perder o controlo do Toyota # 8 em Arnage, falhando a travagem, dando um toque nas barreiras. O estrago não foi muito e o japonês pôde prosseguir em prova, rumando às boxes sem contudo perder uma volta para Pier Guidi.
Mas o Ferrari # 51 também teria um susto a 23 minutos do final da corrida quando Pier Guidi teve dificuldades em fazer funcionar o 499 P após o seu último ‘pitstop’. Contudo a vantagem sobre o Toyota # 8 foi suficiente para que o italiano ‘segurasse’ o comando e ‘voasse’ para um triunfo histórico para a marca de Maranello.

Já o caminho do Cadillac # 2 para o terceiro posto foi relativamente mais tranquilo, se excetuarmos um pião de Westbrook na nona hora de corrida. O que comparado com o outro Hypercar da Ganassi, o Cadillac # 3, foi pouco significativo, e explica porque razão Sébastien Bourdais, Scott Dixon e Renfer van der Zande se tiveram de contentar com o quarto lugar final.
O primeiro percalço aconteceu quando a traseira do V-SR amarelo e preto foi atingida por um carro da classe GTE-Am na curva Dunlop durante um período de ‘slow zone’ na parte inicial da prova, obrigando a reparações. Esse incidente acabou por ser muito semelhante ao ocorrido quando Bourdais se desentendeu com um dos Oreca LMP2 do Team WRT em Tertre Rouge, na mesma altura em que o piloto francês tinha regressado à volta dos líderes durante a fase noturna.
Já no domingo Bourdais viu Kevin Estre aproximar-se e ameaçar o terceiro posto, mas o francês da Porsche Penske acabaria por perder o controlo do 963 # 6 e embater contra as barreiras e dessa forma hipotecou quaisquer possibilidades da marca de Weissach conseguir um bom resultado. Um percalço que Antonio Fuoco não cometeu, no Ferrari 499 P # 50 que dividiu com Nicklas Nielsen e Miguel Molina.
O carro que o italiano colocara na ‘pole’ sofreu bastante na fase em que uma chuva intensa se abateu sobre Le Mans – que levou Nielsen a ter uma saída de pista nas curvas Porsche –, e acabou por se atrasar bastante quando o Hypercar assistido pela AF Corse teve uma fuga no fluído do sistema de recuperação de energia. Apesar deste revés, o trio empenhou-se em limitar as perdas e a quinta posição final foi o reflexo desse esforço.
Mas os grandes perdedores destas 24 Horas de Le Mans foram mesmo a Porsche e a Peugeot, ainda que a marca francesa tenha chegado a liderar na fase molhada da corrida. Jean-Eric Vergne não evitou um pão com o 9X8 # 93 em Mulsanne que lhe custou duas voltas, enquanto Gustavo Menezes acabaria por sair de pista com o # 94 na primeira chicane de Mulsanne nas primeiras horas de corrida. Além disso os dois Hypercar de Sohaux também foram travados por problemas hidráulicos que os mantiveram muito tempo nas boxes, com o # 93 a ser o melhor classificado, e mesmo assim apenas na oitava posição. Já do lado da Porsche o fim de semana acabou por ser ‘miserável’, com o trio dos 963 LDMh a sofrerem todo o tipo de percalços. O primeiro deles afetou o # 75, com um problema de pressão e gasolina, antes de Estre sofrer o despiste na curva Porsche que colocou um ponto final da corrida do # 6 quando o francês perseguia o quarto posto de Bourdais. Depois perdeu ainda mais tempo a substituir a bateria do sistema híbrido do carro.
O Porsche # 5 estava a caminho de um possível quinto lugar quando sofreu um furo, teve uma fuga no sistema de arrefecimento e teve mais problemas que na última hora o fizeram descer para a nona posição. Infelizmente, e apesar de ter passado efemeramente pela liderança, o Porsche 963 # 38 da JOTA, não seria mais feliz. Primeiro devido a um despiste de Yfei Ye, que danificou bastante o Hyercar dourado, depois com nova incursão fora de pista com António Félix da Costa ao volante.

Na classe LMP2 o desfecho foi surpreendente, com um vencedor improvável no Oreca 07 Gibson # 34 da Inter Europol. O protótipo partilhado por Fabio Scherer, Jakub Smiechowski e Albert Costa não figurava entre os favoritos, mas apesar do suíço padecer de uma fratura num pé – sofrida quando o Corvette de GTE – Am o pisou num dos ‘’pitstops’ – conseguiu levar até ao fim e na primeira posição da categoria o protótipo verde e amarelo. Sendo que a equipa chegou à liderança a oito horas do fim e não ais a largou.
Isto depois de ter ultrapassado várias investigações a possíveis infrações de procedimentos na fase final da prova, e do Oreca # 41 do Team WRT tudo ter feito para se aproximar. Louis Deletraz, Robert Kubica e o angolano Rui Andrade teriam de se contentar com a segunda posição, terminando a uns 21 segundos dos vencedores. Com o Oreca da Duqueine Engeneering – guiado por Neel Jani, René Binder e Nico Pino – a terminar na terceira posição, aproveitando um problema do segundo Oreca da WRT na fase final da corrida. Na qual Filipe Albuquerque foi verdadeiramente infeliz no Oreca # 22 da United Autosports, já que um dos seus companheiros de equipa, Frederik Lubin, acabaria por cometer um erro e despistar-se, colocando um ponto final à participação do piloto de Coimbra.

Finalmente em GTE-Am o Corvette C8-R # 33 de Ben Keating, Nick Catsburg e Nicola Varrone saiu vencedor depois de uma prova de grande persistência, já que a equipa ‘deu a volta’ a um dissabor, quando na fase inicial da corrida perdeu 10 minutos nas boxes para substituir um amortecedor frontal. Depois aproveitou situações de ‘safery-car’ para recuperar de uma volta de atraso para os carros da frente da classe.
O excelente andamento dos três pilotos, sobretudo de Catsburg, também ajudou a chegar ao comando à passagem da 19ª volta a levar a melhor sobre a concorrência, que teve mais problemas, nomeadamente o Porsche 911 RSR-19 da equipa feminina Iron Dames, que rodou muito tempo na segunda posição, mas que quando Rahel Frey estava ao volante durante a noite sofreu um furo e uma penalização de ‘drive-throgh’, que permitiu a ascensão ao segundo posto do Aston Martin Vantage da ORT bt TF Sport confiado a Ahamd Al Harthy, Michael Dinan e Charlie Eastwood. Michael Wainwgright, Ben Barker e Riccardo Pera completaram o pódio da categoria no Porsche 911 GT3-R da GR Racing.



