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Elétricos nos ralis? FPAK e Efacec na busca de soluções.

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Ni Amorim, em entrevista à VMotores, assume ser irreversível o caminho para os elétricos nas provas de estrada. Soluções estão a ser já estudadas pela FPAK, em parceria com a Efacec.

A relação entre o desporto automóvel e a propulsão elétrica ou de outras energias renováveis está na ordem do dia.

Nos aficionados, este caminho seguido por quem regula e por quem está na indústria automóvel, provoca angústia e, mesmo rejeição, com o receio de que a intensa emoção sentida com o “roncar” dos motores de combustão venha a ser substituída por uma rejeição irritada dos “zumbidos” atuais das novas unidades de propulsão, nascidas das novas tecnologias baseadas nas energias alternativas.

Na entrevista de Ni Amorim, presidente da FPAK, à VMotores, este tema polémico não podia deixar de ser abordado. O líder da Federação lembra que são claras “as orientações da FIA para que as entidades federativas nacionais se posicionem na defesa do ambiente e na promoção das energias limpas e Portugal não poderia, nem tal queremos, ser uma exceção”.

2020 marca já um ponto de grande intensidade na introdução dos elétricos nas competições internacionais, lembrando Ni Amorim que “nos TCR, já existirá uma categoria para carros elétricos, o mesmo sucedendo no Mundial de Ralicross o que são passos importantes e, portanto, naturalmente estaremos muito atentos”, referindo que “vamos alargar as competições para os automóveis elétricos em Portugal”.

Em 2019, Oeiras foi palco da primeira prova internacional de estrada, realizada em solo lusitano, dedicada às novas energias. Inserida no no FIA Electric and New Energy Championship, a 2ª edição do Oeiras Eco Rally Portugal decorreu nos dias 7, 8 e 9 de junho. Foi uma prova inteiramente dedicada a veículos de estrada, com um sistema de transmissão elétrico ou outras alternativas de energia, nomeadamente veículos BEV (veículo com propulsão Elétrica a Baterias) e veículos FCEV (veículos com propulsão a Pilha de Combustível). Para a posteridade ficou a vitória da dupla portuguesa Nuno Serrano e Alexandre Berardo, aos comandos de um Renault Zoe.

Em Outubro, foi a vez do Minho receber a 1ª edição da Taça de Portugal de Novas Energias – Electric Rally. Nesta prova também pioneira, organizada pelo Classic Club de Portugal, participaram 19 equipas e um convidado especial: Armindo Araújo, campeão nacional de ralis, que se associou à prova na última etapa, disputada em Santo Tirso. A vitória foi para Pedro Morais e Sílvia Coutinho, em BMW I3.

Agora pode ser a Velocidade a dar o novo mote a esta tendência. Ni Amorim confirma que “a FPAK estuda a possibilidade fazer um troféu específico, aproveitando as boas infraestruturas do Autódromo do Estoril e do Autódromo de Portimão já que as boxes estão preparadas para carregamentos de carros 100% elétricos”. As provas terão uma duração de 20 a 25 minutos.

Esta ideia saiu ainda reforçada, há poucos meses atrás, quando Ni Amorim promoveu “uma reunião com representantes de seis marcas de automóveis estabelecidas em Portugal, para podermos perceber o que esperamos uns dos outros e nenhuma delas rejeitou encarar essa possibilidade e apoiar o troféu”.

 Ralis e Ralicross na calha para a era eléctrica

Mas o desenvolvimento dos chamados “electric rally cars” é já assunto sério ao mais alto nível.

O promotor do Mundial de Ralicross incluiu no programa de 2020 uma competição chamada Projeckt E Racing Series e espera terá adesão de 15 a 20 equipas privadas.

Entretanto, em parceria com a equipa austríaca STARD – Stohl Advanced Research And Development, esta a desenvolver o carro que vai ser utilizado e este apresenta-se como um verdadeiro “monstro”

Baseado num Ford Fiesta ST, tem 3 motores eléctricos, capazes de desenvolver uma potência equivalente a 600 cavalos, com um binário de 1100 Nm. Os números fiam ainda mais impressionantes quando se adiciona os 1,8 segundos que gasta para ir dos 0 aos 100 Km/h!

A própria M-Sport anunciou, já em 2018, que está a trabalhar num carro de ralis elétrico. Baseado no chassis do Fiesta R5, o projeto aponta, pelo menos nesta primeira fase, para a possibilidade de vir a participar em ralis com apenas um dia de duração, numa fase em que o principal objetivo é perceber a competitividade e a capacidade em termos de duração, recorrendo apenas a potência elétrica para enfrentar as especiais.

E Portugal?

Ni Amorim refere que as provas de estrada, como os ralis ou a montanha, acarretam “desafios maiores e iguais dificuldades técnicas para a inclusão dos elétricos, mas estamos a trabalhar arduamente numa solução”.

Dando uma novidade em primeira mão, Ni Amorim divulgou que “temos tido reuniões com o Engº Ângelo Ramalho, CEO da Efacec, empresa que está na Fórmula E, patrocinando a DS Techeetah, onde milita o nosso António Félix da Costa. No âmbito dessa parceria, a Efacec portuguesa desenvolveu sistemas que permitem uma carga de energia ultrarrápida”. Refira-se, o gigante lusitano da energia é pioneiro na mobilidade elétrica e líder na produção de carregadores rápidos e ultrarrápidos para veículos elétricos

No seguimento das conversas tidas, Ni Amorim convidou “o CEO para fazer parte de uma comissão técnica da FPAK e ele aceitou. A sua presença e da Efacec nesta comissão prende-se precisamente com a possibilidade de nos ajudarem a desenvolver sistemas que, num futuro próximo, permitam carregamentos nos parques de assistência das provas de estrada e de montanha e mesmo em neutralizações entre troços de ralis, tornando assim mais fácil a inevitável presença de carros 100% elétricos neste tipo de competição num futuro próximo”.

Ni Amorim chama a atenção para a importância ”da Efacec já ter desenvolvido sistemas amovíveis que estão na Fórmula E, o que mostra ser possível utilizar sistemas similares na estrada”, rematando que “mais ano, menos ano, os elétricos estarão em força em todas as modalidades do desporto automóvel, em Portugal como no resto do mundo”.

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