Luís Fernandes: rapidez nunca faltou, faltam apoios para continuar a sonhar

Três pódios, uma vitória na Rampa da Penha, segundo lugar nos Super Challenge C a apenas 18 pontos do líder e um fantástico Top 3 absoluto na Categoria Super Challenge. Luís Fernandes e o Peugeot 106 XSi foram um dos binómios em maior evidência na primeira metade do Campeonato de Portugal de Montanha JC Group, mas a falta dos apoios esperados obrigou o piloto a deixar o coração de lado e travar o investimento.
Luís Fernandes foi, até à pausa de verão, quem mais conseguiu incomodar o habitual dominador dos Super Challenge C, Bruno Carvalho. Ao volante do Peugeot 106 XSi, o piloto conquistou três pódios e venceu na Rampa da Penha, chegando ao segundo lugar da divisão, a 18 pontos do líder.
Um registo ainda mais significativo porque Fernandes esteve ausente da Rampa Capital do Móvel, quinta prova da temporada. A ausência teve uma razão muito concreta: orçamento.
«Depois de uma época de 2025 em que vivi o sonho de disputar o Campeonato Nacional com cerca de 90% dos custos suportados por mim, 2026 foi planeado com base em algumas promessas de apoio. Quando chegou a hora da verdade, infelizmente esses apoios não avançaram e acabaram mesmo por ser inferiores aos do ano passado.»

Luís Fernandes admite que poderia reduzir custos para continuar presente em todas as provas, mas isso iria contra a forma como encara a competição: «Não tenho perfil para ir participar sem sentir que tenho condições para dar o meu máximo e andar no meu limite. Dentro do carro, a minha mentalidade é ir ao máximo e sem desculpas. Naturalmente, isso também aumenta bastante os custos por corrida.»
Quando a razão venceu o coração
A paragem chegou, na verdade, mais tarde do que inicialmente previsto: «Já era para ter parado na Serra da Estrela, mas sou descendente daquela região e a paixão falou mais alto. Depois veio Santa Marta, um traçado e um ambiente de que gosto muito, e voltei a deixar o coração decidir. Infelizmente, os problemas no carro não me permitiram aproveitar esse esforço e, na viagem de regresso, assumi comigo mesmo que não iria continuar a inflacionar o orçamento.»
A intenção passa agora por regressar na Rampa da Arrábida, praticamente à porta de casa, reutilizando pneus das provas anteriores e completando assim as cinco participações necessárias para fechar a temporada. Luís Fernandes sabe que essa opção poderá custar posições na classificação, mas prefere manter o projeto financeiramente sustentável.
«O público faz-me sentir especial»
Se existe algo que o piloto leva desta primeira metade da época é a resposta dos adeptos: «O mais positivo tem sido o feedback do público. Pessoas que vêm ter comigo para dar os parabéns pela forma como veem o carro passar, mensagens que recebo e até quando me pedem uma fotografia. Isso faz-me sentir especial.»

E é precisamente aí que surge também a maior frustração: «O mais desagradável é perceber que tudo aquilo que conseguimos transmitir ao público não chegou às pessoas certas para conseguirmos os apoios necessários.»
Para 2027, Luís Fernandes quer voltar a procurar parceiros que lhe permitam transformar a velocidade já demonstrada numa presença mais consistente: «Vou procurar novamente esse apoio para 2027, de forma a conseguir mais do que uma participação esporádica no campeonato.»
O piloto deixa ainda agradecimentos à esposa, à Speed Motorsport, X Power, André Cerol, David dos Pneus, Rapid Sport Viseu e, de forma muito especial, a Vítor Hilário, da Egipower, que o acompanha em todas as provas.



