Preá consagrou campeões do Rally dos Sertões BRB 2023

Nove dias, três estados, 3.700 quilômetros de terra, areia, pedras e tudo o mais que estava reservado para a 31ª edição do Sertões BRB. O desafio de encarar o maior rally das Américas chegou ao fim no passado sábado. E, se as dificuldades ao longo do caminho foram muitas, um visual paradisíaco serviu de cenário para comemorar uma vitória que, na verdade, é de todos os que o percorreram, já que a prova confirmou a promessa de que seria uma das mais exigentes da história. A Praia do Preá, em Cruz (CE), serviu de cenário para a festa e a consagração dos grandes campeões.

Em duas modalidades, a emoção foi inédita. Nas motos, o norte-americano Mason Klein (KTM 450 Rally Replica / DM Workshop Carnaúba Wind House) justificou a condição de revelação do rali cross-country internacional. Sem conhecer as características dos terrenos brasileiros e alguns macetes da navegação adotada no Sertões, ele dominou desde o início, mostrando-se totalmente à vontade. Um desempenho que trouxe uma emoção especial: embora seja o atual campeão mundial na categoria Rally 2, foi a primeira vitória do californiano na classificação geral. E ainda marcou o fim de um jejum de uma década para a KTM – a última vitória laranja havia sido em 2014 com o espanhol Marc Coma, um dos grandes de todos os tempos.
Gabriel Bruning (Yamaha WR 450F / IMS Yamaha) escoltou Mason como o melhor brasileiro, levando ainda a categoria Rally 2. O argentino Martin Duplessis (Honda CRF 450RX / Honda Racing) veio a seguir, com três países diferentes nos três primeiros lugares.

Nos carros, o Sertões BRB 2023 favorecia, na teoria, os carros 4×4 da categoria T1+, a principal da modalidade no mundo. Mas Marcelo Gastaldi e Cadu Sachs (Century CR6-T / Baja Tek) driblaram os problemas e conseguiram ser velozes para também comemorar de forma inédita. A boa vantagem na classificação geral deu à dupla a chance de fazer com tranquilidade a última etapa, marcada pela travessia de longas extensões de areia e a navegação por waypoints. Até mesmo a configuração de potência usada no buggy sul-africano foi menos extrema que a usual para evitar sustos. Sinônimo de festa na rampa montada junto à Vila Carnaúba.
Entre os UTVs, a disputa confirmou a velha máxima de que o rali só termina na chegada da última especial. A 10 quilômetros dela, a máquina de Rodrigo Varela e Matheus Mazzei (Can-Am Maverick X3 / Monster Energy Varela Racing), que começaram o dia na liderança, entrou em modo de segurança. Deni do Nascimento e Gunnar Dums (Can-Am Maverick X3 / Bompack Racing) tinham uma desvantagem de 1min28 para descontar, e fizeram isso com sobras, após impor um ritmo forte. Para Deni, foi o segundo título, após o de 2019. Gunnar comemorou pela primeira vez.
Em meio a tantos especialistas dos ralis e 90 duplas inscritas, dois nomes mais conhecidos pelos resultados nos autódromos chamaram a atenção. Felipe Fraga fechou sua participação de estreia como sétimo na geral e terceiro na categoria UTV2. Já Nelsinho Piquet levou o título na UTV3.



