Fórmula E: Félix da Costa estreia-se na Jaguar num dos palcos mais eletrizantes do campeonato

A Fórmula E abre este fim de semana a temporada 2025/26, aquela que ficará marcada como o último capítulo da era Gen3. Será um ano de transição, com 17 rondas ao longo de nove meses e dez países, antes da chegada do muito aguardado Gen4, a nova geração de monolugares elétricos que promete ser mais leve, mais eficiente e capaz de regenerar ainda mais energia. Mas antes da revolução, todas as atenções se concentram em São Paulo, onde o Sambódromo do Anhembi recebe novamente uma das pistas mais vibrantes e imprevisíveis da modalidade.
Uma das grandes histórias de abertura da nova temporada é a mudança de António Félix da Costa para a Jaguar TCS Racing. O piloto português estreia-se ao lado de Mitch Evans, autor de uma das recuperações mais impressionantes da história da Fórmula E — a vitória no Brasil em 2025 depois de arrancar do 22.º lugar.
Após uma pré-época curta, Félix da Costa reconhece que entra na primeira corrida com a motivação em alta, mas consciente dos desafios naturais de uma mudança de equipa.
“Estou muito contente por estar aqui numa nova equipa, mas tenho muitas zonas de desconhecimento. Só quero fazer a corrida, levar com tudo o que vier e perceber onde estamos bem e onde temos de melhorar. Sinto que me fazia jeito ter mais uns dias de testes. A equipa fez o trabalho de casa e vamos tentar fazer o nosso melhor.”
A grelha de 2025/26 apresenta-se mais competitiva do que nunca. Na última temporada, 16 pilotos e todas as equipas estiveram no pódio — algo inédito. As mudanças reforçam esta sensação de equilíbrio:
Nico Müller assume o lugar deixado por Félix da Costa na Porsche, juntando-se a Pascal Wehrlein, autor das duas últimas pole positions em São Paulo. A Citroën Racing estreia-se oficialmente na Fórmula E, trazendo uma dupla de luxo: Jean-Éric Vergne e Nick Cassidy. A DS Penske aposta no prodígio Taylor Barnard, que em 2024 se tornou o piloto mais jovem a conquistar uma pole position, um pódio e uma volta mais rápida.
A Nissan regressa para defender o título de equipas com Oliver Rowland e Norman Nato, enquanto a Mahindra tenta converter o bom ritmo mostrado nos testes de Valência em resultados concretos. Também em destaque: Joel Eriksson passa a representar a Envision Racing, o jovem Pepe Martí estreia-se com a CUPRA Kiro e Felipe Drugovich inicia a sua primeira época completa na Andretti ao lado do campeão de 2023, Jake Dennis.
Um circuito rápido, técnico e propenso a surpresas
O traçado paulistano, com 2,933 km, volta a oferecer um cenário perfeito para uma corrida explosiva. A zona das curvas 1, 2 e 3 é uma das mais favoráveis a ultrapassagens no calendário, enquanto o setor rápido entre as curvas 4 e 6 continua a ser palco de duelos intensos e episódios marcantes — como o forte acidente de Wehrlein em 2024, do qual o alemão saiu ileso.
São Paulo habituou os fãs a finais dramáticos, e a última volta costuma decidir a corrida. A ousada ultrapassagem de Sam Bird, que deu à McLaren a sua única vitória, ainda está fresca na memória dos adeptos.
Primeiro teste antes do futuro
Com tantas mudanças, tantos candidatos e tanta incerteza, o E-Prix de São Paulo assume-se como o primeiro grande termómetro da temporada. Será aqui que as equipas perceberão forças, fraquezas e tendências antes da entrada em cena do revolucionário Gen4, em 2026. Para Félix da Costa, o desafio é imediato: adaptar-se ao novo carro, à nova equipa e a um dos palcos mais exigentes da Fórmula E.
A temporada arranca com promessa de emoção do início ao fim — e, em Portugal, toda a ação poderá ser acompanhada em direto no Eurosport e na HBO Max, numa época que se antevê histórica antes do salto tecnológico que moldará o futuro da competição elétrica.



