Leiria Sobre Rodas: êxito total no regresso do certame
Após três anos de “jejum”, o certame promovido pela Câmara Municipal de Leiria viveu uma edição em que a “fome” foi saciada com farta “gulodice”. O ambicioso, intenso e eclético programa foi premiado com a maior enchente de sempre. 67341 espectadores, ao longo dos três dias em que a entrada no vasto espaço da edição 2022 do Leiria Sobre Rodas.
Se a isto somarmos mais uns milhares que gratuitamente assistiram às propostas do dia de arranque, quinta-feira e outros tantos entre os que, não querendo pagar bilhete, ergueram uma espécie de “terceiro anel” na rua sobranceira ao recinto ao longo dos quatro dias, temos a dimensão correta deste que, cada vez mais, se assume como o maior festival dedicado ao automóvel e às motos entre os que se realizam em Portugal e que, uma vez mais, teve um balanço muito positivo

NO LSR O renovado traçado de 1500 metros que serve de palco à competição e às exibições desportivas nunca para. Refira-se a excelente organização de todo o extenso programa competitivo a cargo do Núcleo de Desportos Motorizados de Leiria. O NDML steve irrepreensível, como alís é a sua habitual bitola.
No Sábado e no Domingo a pista virou “passadeira vermelha” para os craques consagrados do Leiria Gold Challenge Rally2 e para as endiabradas cinco dezenas de equipas que competiram DIVIDIDAS EM TRÊS CATEGORIAS no Circuito Sport, competição que se regeu pelas regras das provas de regularidade Sport Plus.
Tiago Gama e o seu bem preparado BMW 316i dominaram quase por completo as lides dos Clássicos. Batido apenas na ida inicial à pista, Tiago Gama chegou ao comando na 2ª Passagem e já daí não mais seria desalojado, construindo a vitºoria de forma sólida, logrando chegar ao fim com uma vantagem alargada sobre Marco Costa e André Costa, a irreverente dupla do bem preparado Toyota Starlet EP70, cuja rapidez entusiasmou o público presente.
Senhores de uma exibição segura, sem falhas, José Carreira Lopes e João Gomes foram subindo paulatinamente na classificação, até colocarem o seu Peugeot 205 GTi no 3º lugar final.
Já Inglório foi o desfecho da magnífica exibição de Jorge M. Baptista. O piloto do Peugeot 205 esteve sempre na luta pela supremacia, tendo mesmo sido o mais rápido na 1ª Passagem e, quando já parecia mais do seguro um bem merecido 2º lugar, a mecânica do carro francês cedeu mesmo na fase final da última Passagem, forçando-a a abandonar, sendo assim muito penalizado e relegado para um amargo 13º lugar final.
Entre a “armada” dos Desportivos, Gustavo Gama e o seu bem preparado Mazda MX5 sobressaíram na atalha feroz travada entre os mais fortes da Categoria.

Nas duas primeiras passagens realizadas, sofreu forte oposição por parte da dupla formada por João Alves e Tânia Machado, com estes a colocarem o seu Renault Clio RS R3 no comando da tabela de tempos da Passagem inaugural, ficando depois muito perto de Gama na 2ª Passagem.
Mas, depois, Gustavo Gama forçou o andamento e venceu de forma clara as restantes duas Passagens, construindo assim um triunfo que lhe assentou que nem uma luva.
Quanto a João Alves e a Tânia Machado, a 2ª posição foi um prémio muito justo, pois revelaram uma capacidade competitiva que os colocou mesmo muito perto da vitória.
Arlindo Gomes e José Vieira não começaram da melhor forma, com um resultado modesto na 1ª passagem. Mas, a seguir, abriram o livro e foram muito fortes nas três Passagens que faltavam, subindo paulatinamente na classificação até chegarem a um saboroso e merecido 3º lugar final.

Mesmo com um começo menos positivo, ao ser apenas 5º na passagem inaugural, Ricardo Capela levou o seu Semog Bravo ao triunfo na categoria Protótipos, mercê de uma exibição sempre em crescendo, bem fundamentada pelo seu andamento endiabrado nas três passagens seguintes, tendo almejado vencer duas delas, selando assim a vitória, com um avanço seguro sobre um muito regular Paulo Ferreira que colocou o seu SKC sempre entre os melhores ao pongo dos dois dias de competição.
Aos comandos de um Suzuki Kartcross, José Lopes assegurou o degrau vago no pódio, colocando-se num 3º lugar que premiou a sua capacidade para rodar sempre num ritmo que o colocou nas posições cimeiras.
Quem passou ao lado de uma vitória que parecia mais do que provável foi Samuel Isabel Vina. A ausência numa das 4 passagens pela pista acarretou uma forte penalização pontual que afastou o rapidíssimo piloto do Semog Revolution SR da discussão do triunfo, ou, pelo menos, dos lugares do pódio, apesar de ter estado sempre entre os mais rápidos, tendo mesmo vencido a 1ª e a 4ª passagem, dando sempre um tremendo espetáculo com a sua habitual condução em máximo ataque!
Pelo meio, o asfalto foi devorado por pilotos de nomeada que assumiram o estatuto de convidados especiais do certame.
A capitanear o plantel esteve o consagrado piloto francês Pierre Lartigue. 3 vezes vencedor do Dakar e vencedor de 4 Taças do Mundo de Todo-o-Terreno, o francês trouxe a leiria o icónico Citroen ZX Rally Raid, diretamente saído do museu da marca francesa. Espalhou simpatia, charme e nostalgia.
A ele juntaram-se Dani Sordo, Pedro Matos Chaves, João Ferreira, Vítor Pascoal, Ernesto Cunha, Gabriela Correia, Joaquim Jorge, Paulo Roque, Artur Fidalgo, em representação de modalidades tão diferentes como ralis, montanha, todo-o-terreno, velocidade e camião racing. Um regalo!

A receita do LSR incluiu um conjunto de espaços temáticos que exerce forte poder de salivação na paixão dos amantes das quatro e das duas rodas.
Do pavilhão dos super carros à vasta exposição de carros clássicos, passando pela área de exibição de motos, uma feira de automobilia, um outro espaço dedicado às bicicletas, bem como a presença de quase todas as marcas automóveis através dos seus concessionários, com as mais recentes novidades expostas e disponíveis para test-drive, de tudo se podia saborear no evento, fazendo os milhares de espetadores calcorrearem quilómetros no recinto, mas sempre de sorriso largo no rosto.




